O Livro Sagrado
A Bíblia é um livro cheio de nuances que são freqüentemente ignoradas. Os ortodoxos cristãos se pudessem provavelmente tirariam vários trechos e acrescentariam outros, o que não seria nenhuma surpresa dado o histórico. O fato é: temos casos de filhas tendo filhos com o pai bêbado (Gn 19: 30-38); servos de Deus mentirosos (Gn 27); poligamia (Gn 29); um caso estranho de incesto entre sogro e nora (Gn 38); morte de crianças e mulheres inocentes (Js 6: 21); um rei que tinha o coração em sintonia com o de Deus e mesmos assim matou o marido de uma mulher somente para ficar com ela (2Sm 11), enfim, são inúmeros os exemplos bíblicos das maldades que o coração humano pode conceber.
Ao longo de anos criou-se a imagem de que as histórias bíblicas estão cheias de florzinhas, pessoas rindo e fala leve por parte de um narrador calmo e tranqüilo. Muitos ateus, criticam a maior religião ocidental, que não por mero acaso nasceu no oriente, justamente pelo fato de os cristãos negarem, ou ao menos tentarem, a natureza corrupta humana. É certo que existe uma famosa doutrina cristã chamada mortificação, mas ela não está ligada de maneira alguma à fantasia de que somos todos perfeitos, muito pelo contrário, a mortificação prega antes de tudo que somos todos miseráveis em nossa natureza e que esse reconhecimento é grande parte do conhecimento de quem realmente é Deus.
Os padrões de santidade da igreja atual exigem um nível de hipocrisia que nem o melhor ator consegue alcançar. A proibição do pecado não ocorre por seguir um livro sagrado mas sim para que a demagogia fique cada vez maior.
A Bíblia é um livro que antes de tudo mostra a natureza humana como ela realmente é: capaz de atrocidades que nós mesmos condenamos. Líderes ditos espirituais negam totalmente o caráter divino de soberania quando assumem em palavras subliminares a idéia de que o prazer foi nos dado para nossa prova. Fala-se de um deus que não liga para os desejos humanos, como se não tivesse sido o próprio Deus que colocou tais desejos. A grande diferença está na escolha entre satisfazer unicamente esses desejos ou não, oras, mas disso todos sabemos. O que não sabemos ou não queremos saber é que Deus fala sim através de nossos erros, tanto é que não foi à toa que Cristo morreu na cruz, por mais clichê que isso possa soar.


