Domingo, Janeiro 27, 2008

Rótulos

É comum ouvirmos certos clichês como: "Não me rotule", "Não sigo religião, sigo a Cristo", é a fobia a rótulos, tão prejudicial quanto aquele que se limita ou limita os outros pela generalização de uma definição qualquer.

No cristianismo e dentro de qualquer outro contexto traçamos perfis preconceituosos a partir da suposta amplitude que uma restrita definição dá. Por exemplo, tendemos a dizer que todo idealista comunista é necessariamente totalitarista. Esse fato específico é interessante pois, apesar da grande maioria da liderança comunista ter sido totalitarista uma coisa não está atrelada a outra. Fazer conexões no campo das definições por mera suposição empírica de que o passado se repetirá é uma atitude restritiva e não uma análise satisfatória da realidade.

São os velhos exemplos sobre tal assunto que podemos observar: nem todo socialista é ateu, nem todo crente é chato, nem todo capitalista é democrata. Enxergar além disso é também aprofundar a definição em si e o humano com o rótulo humanístico: diversificado.

O perfil de alguém não pode e não deve ser traçado através de um único rótulo, podemos ser rotulados, mas que isso não nos restrinja. A consequência prática mais importante da diversidade humana é a possibilidade de mesclarmos definições e partirmos para uma nova, aceitando também a possibilidade de tal nova idéia poder se fundir, é assim que o conhecimento avança, questionando e não impondo.

Pensar na via única de suposições também nos limita no sentido de que podemos ser sim, por exemplo, cessacionistas sem necessariamente seguirmos a Calvino, há sim a possibilidade de sermos cristãos e anarquistas, ateus e ao mesmo tempo democratas.

Nesse sentido, é impossível fazermos uma projeção do que uma pessoa realmente é partindo do simples pressuposto que um fato que acontece com a maioria acontecerá a todos. Diversidade de definições, diversidade de opções, sem contradições, sim isso é possível.

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É nesse sentido, Norma e Gustavo, que discordo das rotulações conservador-liberal dentre outras. Saiamos desse dualismo maniqueísta.

9 comentários:

Andréia disse...

concordo!!! como mencionei no meu blog.. as exceções são mais frequentes do que se pode imaginar...

beijos!

luma disse...

Os rótulos são colocados antes mesmo de se conhecer o conteúdo. Pré julgamentos quando não se tem visão ampla, por falta de conhecimento ou radicalismo. Esses "quadradões" sim, precisam dos rótulos. Beijus

Eduardo Mano disse...

Luma, você caiou no problema que o Rap colocou. Você está julgando os "quadradões" sem nem mesmo conhecê-los.

Rap, com todo respeito, não concordo. Creio que se as pessoas soubessem no que se metem, e entendessem o que significa ser isso ou aquilo, ou elas abraçariam a causa ou prefeririam nem estar ligadas ao "movimento".

Não estou aqui para defender o Nagel e a Norma, os quais conheço pessoalmente. Basta dar uma olhada em qualquer polêmica que eles tenham entrado para perceber que sabem se defender (ou melhor, se expressar) muito bem sozinhos. O que quero enfatizar aqui é a insistência que temos em nos permitir rotular de algo sem nem memo conhecer TODOS os pormenores desse rótulo.

Como, por exemplo, os que querem ser cristãos mas não querem tomar a cada dia a sua Cruz. O Rótulo (ou melhor, o selo) de cristão não lhes cabe.

abraço!

Raphael Rap disse...

Andréia, as exceções atualmente são hoje em dia regra felizmente...

Luma, pré julgamentos são realmente parte de nossa visão de mundo, tentar mudar isso é o que faz com que a interação aconteça...

Eduardo, os pormenores de um rótulo estão relacionados a forma como se vê aquele rótulo, não à definição no sentido stricto dela...
O que critico é justamente essa imposição de que a definição de um rótulo fica necessariamente limitado a visão pessoal da definição...
O cristianismo como você rotula pode e será diferente da visão que eu tenho... se assim não fosse não teríamos tantas vertentes diferentes em todos tipos de pensamentos generalizados (religiões, por exemplo).
Não estou criticando o Nagel e a Norma pessoalmente, só pra constar, estou na realidade expondo minha visão a partir da discussão surgido no blog do Gustavo...

Gustavo Nagel disse...

Raphael, apenas algumas coisas:

1) O comunismo não é totalitarista por a "grande maioria da liderança comunista ter sido totalitarista", mas porque a própria idéia de comunismo assim o exige. E não foi a "grande maioria" que foi totalitária, mas TODA ela.

2) O que me faz pensar o seguinte: idéias têm conseqüências. De modo que "nem todo socialista é ateu", mas todo socialista acredita na incoveniência da propriedade privada; nem todo ateu é socialista, mas todo ateu não acredita em Deus; "nem todo crente é chato", mas todo crente acredita em algo; nem todo chato é crente, mas todo chato é alguém que nos incomoda, e assim por diante.

3) O importante não são os rótulos, mas as idéias. Não querer se rotular não pode significar não querer definir o modo como se pensa.

4) O grande problema é que você e muitos outros supõem ser possível a admissão de duas ou mais idéias que se excluem umas às outras simultaneamente. Repito: é possível existir um ateu que não seja socialista, mas é impossível existir (de fato, de mentirinha até há) um ateu teísta ou um socialista capitalista -- que é o tipo de figura que você está propondo.

Abraços.

ricardo disse...


Por isso que digo: Sou socialista e creio em Deus. rs

[ ]'s ricardo

Raphael Rap disse...

Gustavo,

1) O comunismo idealista não prega o totalitarismo... diz isso o que somente faz críticas a empiricidade...

2) Nem todo socialista acredita na incoveniência da sociedade privada, o resto dos argumentos são simplesmente lógicos, ou pode-se enxergar algo mais além?

3) Os rótulos são as idéias... um cristão pensa através do rótulo de cristão... esse é o pressuposto...

4) Eu disse justamente no final "Diversidade de definições, diversidade de opções, sem contradições" sem contradições repito... não vi nenhuma incoerência nas rotulações que apresentei... não disse que um ateu é teísta isso é ilógico... não disse quem socialista é capitalista isso é incoerente...

Creio que inferiu coisas demais de coisas que não escrevi...

Abs.

Olha o exemplo do Ricardo pra ver como as coisas se encaixam...

Paulo Pessoa disse...

Olá nobre Raphael, muitos bons os seus textos. Tão bons até que foram plagiados. Venho informá-lo que um texto seu de 2006, entitulado "Liberdade de pensamento" foi copiado, até a última vírgula, neste blog http://www.blogdocapote.blogspot.com
e os devidos créditos não foram atribuídos a você. Venho apenas avisar o ocorrido. No mais, parabéns pelo Blog
[]´s

Sarah Toledo disse...

Eu acho difícil fugirmos dos rótulos. Dos dois lados, digo, sendo rotulados e rotulando. Mas, realmente, não podemos qualificar uma pessoa, por exemplo, baseado no geral, no que prevalece. Como não fazer isso? rs. Só conhecendo a pessoa, não? Antes disso certamente vamos encaixá-la em algum grupo, aquele que nós achamos melhor pra ela.

(Por enquanto, obrigada pelos parabéns. haha. e, sobre Orwell, o discurso é parecido durante todo o livro)

Cuidado com os plagiadores, Raphaeeeeel! (tsc tsc... esse povo!)

Bjim.