Rótulos
É comum ouvirmos certos clichês como: "Não me rotule", "Não sigo religião, sigo a Cristo", é a fobia a rótulos, tão prejudicial quanto aquele que se limita ou limita os outros pela generalização de uma definição qualquer.
No cristianismo e dentro de qualquer outro contexto traçamos perfis preconceituosos a partir da suposta amplitude que uma restrita definição dá. Por exemplo, tendemos a dizer que todo idealista comunista é necessariamente totalitarista. Esse fato específico é interessante pois, apesar da grande maioria da liderança comunista ter sido totalitarista uma coisa não está atrelada a outra. Fazer conexões no campo das definições por mera suposição empírica de que o passado se repetirá é uma atitude restritiva e não uma análise satisfatória da realidade.
São os velhos exemplos sobre tal assunto que podemos observar: nem todo socialista é ateu, nem todo crente é chato, nem todo capitalista é democrata. Enxergar além disso é também aprofundar a definição em si e o humano com o rótulo humanístico: diversificado.
O perfil de alguém não pode e não deve ser traçado através de um único rótulo, podemos ser rotulados, mas que isso não nos restrinja. A consequência prática mais importante da diversidade humana é a possibilidade de mesclarmos definições e partirmos para uma nova, aceitando também a possibilidade de tal nova idéia poder se fundir, é assim que o conhecimento avança, questionando e não impondo.
Pensar na via única de suposições também nos limita no sentido de que podemos ser sim, por exemplo, cessacionistas sem necessariamente seguirmos a Calvino, há sim a possibilidade de sermos cristãos e anarquistas, ateus e ao mesmo tempo democratas.
Nesse sentido, é impossível fazermos uma projeção do que uma pessoa realmente é partindo do simples pressuposto que um fato que acontece com a maioria acontecerá a todos. Diversidade de definições, diversidade de opções, sem contradições, sim isso é possível.
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É nesse sentido, Norma e Gustavo, que discordo das rotulações conservador-liberal dentre outras. Saiamos desse dualismo maniqueísta.
No cristianismo e dentro de qualquer outro contexto traçamos perfis preconceituosos a partir da suposta amplitude que uma restrita definição dá. Por exemplo, tendemos a dizer que todo idealista comunista é necessariamente totalitarista. Esse fato específico é interessante pois, apesar da grande maioria da liderança comunista ter sido totalitarista uma coisa não está atrelada a outra. Fazer conexões no campo das definições por mera suposição empírica de que o passado se repetirá é uma atitude restritiva e não uma análise satisfatória da realidade.
São os velhos exemplos sobre tal assunto que podemos observar: nem todo socialista é ateu, nem todo crente é chato, nem todo capitalista é democrata. Enxergar além disso é também aprofundar a definição em si e o humano com o rótulo humanístico: diversificado.
O perfil de alguém não pode e não deve ser traçado através de um único rótulo, podemos ser rotulados, mas que isso não nos restrinja. A consequência prática mais importante da diversidade humana é a possibilidade de mesclarmos definições e partirmos para uma nova, aceitando também a possibilidade de tal nova idéia poder se fundir, é assim que o conhecimento avança, questionando e não impondo.
Pensar na via única de suposições também nos limita no sentido de que podemos ser sim, por exemplo, cessacionistas sem necessariamente seguirmos a Calvino, há sim a possibilidade de sermos cristãos e anarquistas, ateus e ao mesmo tempo democratas.
Nesse sentido, é impossível fazermos uma projeção do que uma pessoa realmente é partindo do simples pressuposto que um fato que acontece com a maioria acontecerá a todos. Diversidade de definições, diversidade de opções, sem contradições, sim isso é possível.
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É nesse sentido, Norma e Gustavo, que discordo das rotulações conservador-liberal dentre outras. Saiamos desse dualismo maniqueísta.


9 comentários:
concordo!!! como mencionei no meu blog.. as exceções são mais frequentes do que se pode imaginar...
beijos!
Os rótulos são colocados antes mesmo de se conhecer o conteúdo. Pré julgamentos quando não se tem visão ampla, por falta de conhecimento ou radicalismo. Esses "quadradões" sim, precisam dos rótulos. Beijus
Luma, você caiou no problema que o Rap colocou. Você está julgando os "quadradões" sem nem mesmo conhecê-los.
Rap, com todo respeito, não concordo. Creio que se as pessoas soubessem no que se metem, e entendessem o que significa ser isso ou aquilo, ou elas abraçariam a causa ou prefeririam nem estar ligadas ao "movimento".
Não estou aqui para defender o Nagel e a Norma, os quais conheço pessoalmente. Basta dar uma olhada em qualquer polêmica que eles tenham entrado para perceber que sabem se defender (ou melhor, se expressar) muito bem sozinhos. O que quero enfatizar aqui é a insistência que temos em nos permitir rotular de algo sem nem memo conhecer TODOS os pormenores desse rótulo.
Como, por exemplo, os que querem ser cristãos mas não querem tomar a cada dia a sua Cruz. O Rótulo (ou melhor, o selo) de cristão não lhes cabe.
abraço!
Andréia, as exceções atualmente são hoje em dia regra felizmente...
Luma, pré julgamentos são realmente parte de nossa visão de mundo, tentar mudar isso é o que faz com que a interação aconteça...
Eduardo, os pormenores de um rótulo estão relacionados a forma como se vê aquele rótulo, não à definição no sentido stricto dela...
O que critico é justamente essa imposição de que a definição de um rótulo fica necessariamente limitado a visão pessoal da definição...
O cristianismo como você rotula pode e será diferente da visão que eu tenho... se assim não fosse não teríamos tantas vertentes diferentes em todos tipos de pensamentos generalizados (religiões, por exemplo).
Não estou criticando o Nagel e a Norma pessoalmente, só pra constar, estou na realidade expondo minha visão a partir da discussão surgido no blog do Gustavo...
Raphael, apenas algumas coisas:
1) O comunismo não é totalitarista por a "grande maioria da liderança comunista ter sido totalitarista", mas porque a própria idéia de comunismo assim o exige. E não foi a "grande maioria" que foi totalitária, mas TODA ela.
2) O que me faz pensar o seguinte: idéias têm conseqüências. De modo que "nem todo socialista é ateu", mas todo socialista acredita na incoveniência da propriedade privada; nem todo ateu é socialista, mas todo ateu não acredita em Deus; "nem todo crente é chato", mas todo crente acredita em algo; nem todo chato é crente, mas todo chato é alguém que nos incomoda, e assim por diante.
3) O importante não são os rótulos, mas as idéias. Não querer se rotular não pode significar não querer definir o modo como se pensa.
4) O grande problema é que você e muitos outros supõem ser possível a admissão de duas ou mais idéias que se excluem umas às outras simultaneamente. Repito: é possível existir um ateu que não seja socialista, mas é impossível existir (de fato, de mentirinha até há) um ateu teísta ou um socialista capitalista -- que é o tipo de figura que você está propondo.
Abraços.
Por isso que digo: Sou socialista e creio em Deus. rs
[ ]'s ricardo
Gustavo,
1) O comunismo idealista não prega o totalitarismo... diz isso o que somente faz críticas a empiricidade...
2) Nem todo socialista acredita na incoveniência da sociedade privada, o resto dos argumentos são simplesmente lógicos, ou pode-se enxergar algo mais além?
3) Os rótulos são as idéias... um cristão pensa através do rótulo de cristão... esse é o pressuposto...
4) Eu disse justamente no final "Diversidade de definições, diversidade de opções, sem contradições" sem contradições repito... não vi nenhuma incoerência nas rotulações que apresentei... não disse que um ateu é teísta isso é ilógico... não disse quem socialista é capitalista isso é incoerente...
Creio que inferiu coisas demais de coisas que não escrevi...
Abs.
Olha o exemplo do Ricardo pra ver como as coisas se encaixam...
Olá nobre Raphael, muitos bons os seus textos. Tão bons até que foram plagiados. Venho informá-lo que um texto seu de 2006, entitulado "Liberdade de pensamento" foi copiado, até a última vírgula, neste blog http://www.blogdocapote.blogspot.com
e os devidos créditos não foram atribuídos a você. Venho apenas avisar o ocorrido. No mais, parabéns pelo Blog
[]´s
Eu acho difícil fugirmos dos rótulos. Dos dois lados, digo, sendo rotulados e rotulando. Mas, realmente, não podemos qualificar uma pessoa, por exemplo, baseado no geral, no que prevalece. Como não fazer isso? rs. Só conhecendo a pessoa, não? Antes disso certamente vamos encaixá-la em algum grupo, aquele que nós achamos melhor pra ela.
(Por enquanto, obrigada pelos parabéns. haha. e, sobre Orwell, o discurso é parecido durante todo o livro)
Cuidado com os plagiadores, Raphaeeeeel! (tsc tsc... esse povo!)
Bjim.
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