Teologia da Realidade
Não, não é mais uma das muitas teologias que pipocam a cada década. É somente uma chamada para a volta a realidade, para saírmos da redoma espiritualizada que criamos, sairmos do mundo da fantasia que inventamos.
Ao longo dos anos é possível perceber claramente tentativas e mais tentativas por parte dos cristãos, porque não dizer dos humanos, em diminuir sofrimento, em viver um céu na terra. No entanto, a obviedade de que isso não acontecerá é tanta que chega a ser redundante falar que tais peripécias são impossíveis de alcançar.
Enfrentamos uma onda de depressão, desânimo que no meio cristão tenta-se curar através de palavras proféticas, campanhas e muitos outros métodos já ampla e devidamente criticados.
A verdade, que não está lá fora, mas sim bem à nossa frente é: seremos derrotados, vamos bater com a cara em algo, vamos errar; constatação óbvia mas, de difícil aceitação. Porque não pregarmos essa obviedade? Porque não falar da real verdade que a vida nos reserva?
Os motivos são bem claros: acredita-se ainda nos dias de hoje que a lei da semeadura é uma regra de causa e efeito que ocorre ao bel prazer da imaginação de quem sofreu algum dano. Pensa o cristão que se fizer algo contra o próximo, o efeito disso é acontecer o mesmo com ele mais a frente. A realidade é que isso não é uma máxima fática. A vida não é um filme clichê em que o bem triunfa sobre o mal.
A vida é (in)felizmente uma surpresa que se revela a cada minuto e para um cristão, o controle que supostamente tem sobre os momentos já foram abdicados em nome de uma vontade maior. Esse é com certeza o consolo do verdadeiro cristão: entregou tudo, sabe que tudo que acontecer, acontecerá com um objetivo, mesmo que em vida ele não tenha ciência disso. Isso é entrega e renúncia, essa é, ou ao menos deveria ser, a realidade cristã.
"Causa e efeito: trata-se de uma dualidade que certamente nunca existirá; assistimos, na verdade, a uma continuidade de que isolamos algumas partes; do mesmo modo que nunca percebemos mais do que pontos isolados em um movimento, isto é, não o vemos, mas o inferimos."
Ao longo dos anos é possível perceber claramente tentativas e mais tentativas por parte dos cristãos, porque não dizer dos humanos, em diminuir sofrimento, em viver um céu na terra. No entanto, a obviedade de que isso não acontecerá é tanta que chega a ser redundante falar que tais peripécias são impossíveis de alcançar.
Enfrentamos uma onda de depressão, desânimo que no meio cristão tenta-se curar através de palavras proféticas, campanhas e muitos outros métodos já ampla e devidamente criticados.
A verdade, que não está lá fora, mas sim bem à nossa frente é: seremos derrotados, vamos bater com a cara em algo, vamos errar; constatação óbvia mas, de difícil aceitação. Porque não pregarmos essa obviedade? Porque não falar da real verdade que a vida nos reserva?
Os motivos são bem claros: acredita-se ainda nos dias de hoje que a lei da semeadura é uma regra de causa e efeito que ocorre ao bel prazer da imaginação de quem sofreu algum dano. Pensa o cristão que se fizer algo contra o próximo, o efeito disso é acontecer o mesmo com ele mais a frente. A realidade é que isso não é uma máxima fática. A vida não é um filme clichê em que o bem triunfa sobre o mal.
A vida é (in)felizmente uma surpresa que se revela a cada minuto e para um cristão, o controle que supostamente tem sobre os momentos já foram abdicados em nome de uma vontade maior. Esse é com certeza o consolo do verdadeiro cristão: entregou tudo, sabe que tudo que acontecer, acontecerá com um objetivo, mesmo que em vida ele não tenha ciência disso. Isso é entrega e renúncia, essa é, ou ao menos deveria ser, a realidade cristã.
"Causa e efeito: trata-se de uma dualidade que certamente nunca existirá; assistimos, na verdade, a uma continuidade de que isolamos algumas partes; do mesmo modo que nunca percebemos mais do que pontos isolados em um movimento, isto é, não o vemos, mas o inferimos."
Friedrich Nietzsche - A Gaia Ciência



12 comentários:
Rap, esse texto me fez lembrar o livro: O enigma da Graça do Rev. Caio Fábio. Nós, crentes, somos fissurados por essa coisa de causa e efeito, aliás, até os discípulos eram, lembras de Bartimeu: "Quem pecou, ele ou seus pais?"
Acredito que este texto é uma forma sua de re-narrar a palavras de Cristo a Bartimeu: "Nem ele, nem seus pais pecaram; isso se deu para glória de Deus"!
Abração meu brother, você escreve bem pra garai!rs
olha, às vezes é mais fácil não ser realista. e acho que é tão fácil que as pessoas simplesmente se acomodam. eu mesma me acomodo em alguns momentos. mas é fato que não podemos esperar que a vida seja uma coisa maravilhosa, pq não será mesmo. e é fato que é o que mais precisamos ter em mente.
abraço.
E será que nossos irmãos querem viver a realidade??? as vezes dura, impiedosa e sombia e porque não dizer dolorosa, mas fico com uma famosa frase do Renato Russo " Toda dor vem do desejo de não sentirmos dor".
muito bom!!!!
quando aceitei Jesus pensei que tava aceitando o paraíso junto. Não me alertaram das tribulações que viriam depois e cheguei a pensar que tava vivedo um mentira. me senti enganada.
Agora estou entendendo melhor. quando digo agora digo longe da igreja..rs
beijos
Pela dulcentésima vez, após comentários perdidos em sessões de navegador e do OpenId, rs, tentando de novo:
O texto é bom e contém várias verdades, mas algo me incomoda.
Você disse: "seremos derrotados, vamos bater com a cara em algo, vamos errar; constatação óbvia mas, de difícil aceitação".
E depois perguntou: "Porque não pregarmos essa obviedade?"
Resposta: porque não é óbvia. O que você chama de teologia da realidade se parece mais com uma teologia do pessimismo. Ser realista não é necessariamente esperar o pior.
Abraço.
Rap, podemos pensar neste texto sem colocar teologia no meio. Causa e efeito é algo natural, tipo, para existir o bem é preciso existir o mal, para existir a realidade é preciso existir o sonho e por aí vai. Tudo é questão de equilíbrio. Beijus
Will, nesse sentido creio que podemos criticar essa exaltação exacerbada de causa e efeito...
Sarah, o fato é que a vida tem momentos, podem ser bons, podem ser ruins, não podemos no fim incorrer no erro de que tudo é somente uma coisa (boa ou ruim)
Zek, ótima citação do Renato, não querermos dor é também negarmos nossa condição humana e pecaminosa.
Andréia, esse é um erro pelo qual muitos de nós passamos assim como muitos recém-convertidos. Com a onda de auto-ajuda todos querem que a vida seja um mar de rosas.
Teo, a chamada que faço no texto é para que se observe a realidade, e uma das faces dessa realidade que é negligenciada é justamente os erros e as dificuldades pelas quais passaremos. É como disse para Sarah, a vida é cheia de percalços e felicidades, no fim são momentos. Tudo não passa de momentos, felizes, tristes ou indiferentes.
Luzdeluma, o teologia aconteceu somente por conta da crítica implícita à teologia da prosperidade. Mas realmente, isso ocorre com todos, independente de religião.
Eu sou uma pessoa muito desconfiada das coisas. Destino, profecia, religião, alma gêmea... Essas coisas fugiram da minha vida há muito tempo, mas em uma coisa eu ainda acredito: causa e efeito. Se existe karma ou não, não é o caso. Pouco me importa buscar explicações, sejas quais e como forem. Só sei que acontece e é inevitável.O jeito é viver e seguir vivendo, errar e seguir errando, crescer e seguir crescendo, morrer e seguir morrendo.
haha teologia da realidade é excelente. Mas concordo com o teo de q n pode transformar-se em teologia do pessimismo. Afinal, n podemos perder a esperança, nem q seja na eternidade..
outro ponto é a lei da semeadura, q n acredito ter sido revogada.. se foi, peço que me mostre os versiculos.. ;)
se n colhermos aqui (como o autor de eclesiastes bem constatou q de fato nem sempre pagamos o mal ou o bem na terra..), colheremos na eternidade, seja com a vida ou a morte eterna.
Alias, é de se entender a posição de nietzsche, uma vez q ele n acreditava na eternidade, né?
bjs!
Cynthia, a existência de causa e efeito é uma de uma probabilidade imensa, a dificuldade está no fato de que poucos aceitam que as coisas não ocorrem da maneira que desejamos que aconteçam na velha lei da semeadura...
Kessia, esperança sempre, no entanto pensar que teremos dificuldades não é deixar de pensar que teremos também momentos de felicidade...
Plantar e colher na eternidade ainda me foge à compreensão...
Hoje eu sigo a paz e o amor de Deus na alegria ou na dor; e mesmo se o futuro não vier, Eu sei que o meu certo será pois o Senhor não muda e tua Palavra cumprirá
Paulo disse: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, porém o maior destes é o amor” (1 Coríntios 13:13)
Ou seja mano: A fé é ter a certeza de que nada é tudo nas mãos de Deus...
A esperança é saber que as coisas vão melhorar...
E amor é a gasolina de tudo isso.
Mas uma coisa é fácil de notar - A receita para enfrentar as dificuldaes da vida e saber que as tres citadas não andam sozinhas. É imposível crer sem ter esperança e amor. E vice-versa
Não sei se ajudei, mas vejo assim
enfrentar as dificuldades da vida e aceitá-las como algo acontece no mundo, na realidade (por oposição à fantasia) é em certo sentido a critica que nietzsche faz aos cristãos, aos quais ele alega que moram no pais das maravilhas.. querendo ou não, essa critica reacendeu o debate cristão, revitalizando a propria visão de mundo e trazendo os cristão para um discurso mais "real", sobre coisas do mundo.. embora o próprio jesus tenha falado que teríamos aflições no mundo, realmente me parece que nos construimos um mini-ceu aqui na terra, e essa imagem desmorona diante da força fenomenologica da realidade diante de nos.. há de se fazer certamente um teologia mais "real"
marco
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