Aforismos insensatos
1. A gratidão é um sentimento que depende de comparação? Devemos olhar para a desgraça alheia para sermos gratos pelas benesses ou ausência de desgraças?
2. Você pode responder qualquer pergunta com um "depende". Toda pergunta tem muitas variáveis. Toda resposta tem muitos parâmetros. Inclusive essa.
3. Não existem oportunidades únicas, só tentativas.
4. Assuma, você não tem amor ou paixões, mas sim vontades.
5. Não saber dos acontecimentos futuros de nossa vida é uma dádiva, pois cada minuto a mais se torna uma bela surpresa.
2. Você pode responder qualquer pergunta com um "depende". Toda pergunta tem muitas variáveis. Toda resposta tem muitos parâmetros. Inclusive essa.
3. Não existem oportunidades únicas, só tentativas.
4. Assuma, você não tem amor ou paixões, mas sim vontades.
5. Não saber dos acontecimentos futuros de nossa vida é uma dádiva, pois cada minuto a mais se torna uma bela surpresa.



21 comentários:
1. Sim e não. É confuso mesmo e para desfazer a dupla resposta eu reformulo a segunda pergunta: "Para qual desgraça devemos olhar para sermos gratos pelas benesses ou ausência de desgraças?"
"Se é preciso gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza." (2 Coríntios 11.30)
Quando Paulo falava isso, de certa forma, parece que ele tinha em mente uma resposta positiva para a primeira pergunta: "sim, a gratidão depende de comparação".
Afinal, ele mesmo descreve os seus infortúnios: "Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha raça, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejuns muitas vezes, em frio e nudez." (2 Coríntios 11.25-27)
Os helênicos moralistas acreditavam que os sofrimentos eram uma forma divina de aperfeiçoamento, pois dessa forma eles poderiam praticar a serenidade diante das aflições. Muitos dizem que vem daí, da influência dos helênicos a visão paulina sobre o sofrimento.
Entretanto, o apóstolo que se angustiava com um espinho na carne (2 Coríntios 12.7), obteve de Deus, a seguinte resposta para a sua maior aflição: "A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza." (2 Coríntios 12.9a)
De forma completamente diferente dos helênicos que centravam em si a "cura", pois nos sofrimentos cada um precisava buscar a sua fonte interna de serenidade, Paulo apontava para Deus como solução:
"Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo." (2 Coríntios 12.9b)
“(...) porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele” (Filipenses 1.29)
Diferente dos helênicos ou daqueles que ainda não crêem em Deus hoje, Paulo chama a atenção dos cristãos para olharem não para a desgraça dos outros, mas para a desgraça de Jesus na cruz. Jesus sofreu, e sabe como nos sentimos... e Ele não venceu apesar de sua fraqueza mas, exatamente como Davi, Jesus venceu através de sua fraqueza.
E Jesus vence ainda hoje na vida de cada cristão não apesar de nossas fraquezas mas através delas.
.el.
4. Somos movidos por paixões e amores profundos. Vontades me parecem desejos ordinários do dia-a-dia. Mas são as paixões que nos mantém vivos... e que fazem de nós o que somos. Onde está nosso tesouro (paixões e amores) ali está o nosso coração (Lucas 12.34).
... o problema de todos nós, inclusive cristãos (não há imunidade no cristianismo), é que a tendência do nosso coração é transformar todo tipo de coisa em tesouro, menos Deus. Eis a nossa natureza idólatra. Facilmente, o que nos motiva a viver, trabalhar, levantar e estudar, nos relacionar com outras pessoas, são coisas como "ganhar dinheiro", "nossa família", "namorada(o)", "amante", "ser bem visto pelas pessoas", "ter status"... de forma que, seja lá o que for a sua idolatria, quando você a perde, não apenas a vida fica mais triste, mas ela realmente perde o sentido e acabam-se as vontades.
Por isso Jesus se coloca no centro e como solução para esse imbróglio. Não há como perdê-lo... ele está sempre lá (Romanos 8). E mesmo nos momentos em que ele se foi para escanteio, ele continua lá esperando para nos oferecer perdão outra vez.
.el.ou.tr.a.ve.z
Eu sempre fico de cara com as suas análises.
Tem certos dialetos na igreja que me incomodam e eu não consigo ver exatamente o porquê. Mas você define perfeitamente.
Brilhante, sério.
Beijo!
BAH
Verdade...
... também quero dizer que só escrevo quando me sinto compelido a dividir idéias. E isso só acontece porque as suas idéias, Raphael, provocam essa reação.
... eu também fico de cara com as suas análises, elas me deixam particularmente RAHpensando.
.el Rah.
Como sempre: inteligente!
Abraço!!!
3. lembrou o q alguém um dia disse, que a sorte é o encontro do preparo com a oportunidade.. nesse caso, com a tentativa bem sucedida
4. por trás das vontades existe a motivação, seja ela boa ou má.
No caso dos crentes, as ações e vontade devem ser motivadas pelo amor (agape) e não pela paixão. Assim, o amor verdadeiro está além dos desejos humanos e independe de sentimentos e vontades..
Como dizem por aí, "se não tivesse o amor, de nada valeria.." rs ;)
5. não saber dos acontecimentos futuros torna-se agonizante e torturador quando não há esperança.. apenas aqueles q a possuem são capazes de desfrutar da expectativa do amanhã...
bj!
Rahel, não creio que quando Paulo cita suas intempéries esteja tentando fazer algum tipo de comparação. Quando traz-se à tona o mote: "Quando estou fraco aí é que estou forte" na realidade fala-se de que como cristãos, os infortúnios que passamos servem para nos mostrar o quão dependente somos de Deus.
Pode-se realmente resumir através de sua última frase:
"E Jesus vence ainda hoje na vida de cada cristão não apesar de nossas fraquezas mas através delas."
Quanto ao ponto quatro, quando falei que ninguém tem amor ou paixão é no sentido de que as motivações de tais palavras são totalmente inalcançáveis, afinal estamos em um corpo dito corrupto. Sempre estamos visando o "ganhar algo". Nesse sentido deve-se haver o reajuste do motivador ou o que você chama de idolatria. No caso dos cristãos: Cristo.
Claudia, tem certo dialetos na igreja que não fazem sentido algum, não é a toa que basta alguém se aprofundar um pouco mais ou questionar um pouco mais que logo será deixado de lado...
Rahel, pô espero que continue RAHpensando e eu RAPensando sempre hehehe. Palavras (e o que pode-se fazer com elas) são impressionantes rs
Will, pô cara valeu!
Kessia,
3. Uma verdade, sem dúvida. Acrescento só que oportunidade é feita de tentativas... ou talvez não heheh, como saber?
4. Convenhamos Kessia, pensar que há um motivação única mesmo para cristãos é desconsiderar o que a bíblia chama de "corruptibilidade". Não acredito em motivação única, nem em amor em pureza de definição. Creio que só a perfeição para alcançar tal "nível"
5. Todos tem esperança. Quando ela não existe mais o suicídio se torna concreto. Essa é também uma das minhas críticas aos cristãos (não necessariamente a ti), cristãos acham que tem uma esperança que só eles tem, uma inverdade. Mesmo quem acredita que a vida termina na morte mesmo (pensamento mais concreto impossível) tem esperança durante a vida.
E mesmo assim acredito que cada minuto será uma surpresa, se será boa ou ruim, deixe que a vida dirá...
Raphael,
Talvez eu mesmo tenha me confundido um pouco com as palavras. Não imagino que Paulo tenho efetivamente feito comparações... mas aproveitei a pergunta para reformulá-la da seguinte forma:
"Para qual desgraça devemos olhar para sermos gratos pelas benesses ou ausência de desgraças?"
Geralmente, em nossa natureza falha, comparamos nossas desgraças... e até diria que gostamos de achar que nossos problemas são sempre maiores do que o dos outros. Até que "encontramos" a "cura" e passamos a achar que realmente tem pessoas sofrendo mais.
Mas resposta para pergunta que formulei é dada por Paulo, sim, claramente, não como comparação: mas, na desgraça, ao invés de olharmos para os outros ou para nós mesmos (nos achando ou mais, ou menos), Paulo chama a atenção para que olhemos para Cristo e para o sofrimento dele por nós.
Jesus sofreu muito mais do que o filme a "Paixão de Cristo" mostra ou poderia mostrar, pois ele sofreu espiritualmente por todos do passado, do presente e do futuro. Se tem alguém que pode compreender nosso sofrimento é ele, pois ele sentiu na carne e no espírito. Seria arriscado afirmar que ele passou pelo inferno por nós?
Paulo inclusive fala em sofrer como continuidade às aflições de Cristo (Colossenses 1.24) - um versículo polêmico e até considerado complicado. Não é uma comparação, mas chega perto:
- ele parece estar dizendo que sofre pelos cristãos como Cristo sofreu por ele e por todos nós.
Ou seja, como cristãos nos foi concedida a graça de padecermos por Cristo (Filipenses 1.29), e com ele, portanto, como ele padeceu por nós padecemos por outros - de certa forma. Não é uma comparação para melhorar nossa vida, mas é uma comparação que estabelece relação - nossa relação com Jesus.
Enfim... ponderações que talvez tenham saído pela culatra. rs
.el Rah-lucinando.
Muito inteligente rsrsr gostei muito e me enquadro em todos os items "dependendo " da forma como se interpretar !!!
Abs
4. ah sim.. enquanto pecadores jamais desfrutaremos do amor em sua plenitude. Isso porém, n significa que sejamos 100% incapazes de amar e de conhecer o amor. Até pq seria então impossível um cristão dizer q conhece a Deus.. pois de acordo com nossa fé, Ele é amor..
Não podemos tb descartar o fato de que atrás das vontades há motivação, e é isso q eu quiz frisar.
Atrás do crime há o desejo de vingança, atrás da doação há sentimento altruísta (n necessariamente o amor), nem q seja por interesse..
Enfim.. classificar o amor (agape) como mera vontade humana, ao meu ver, é rebaixar uma virtude até mesmo sobre-humana a um nível mto baixo..
5. Concordo q a esperança independe de crença religiosa.. discordo que todo ser humano a possui.. Quem n possui esperança, n vive, apenas sobrevive. e o mundo está cheio de mortos-vivos..
sua forma de encarar o futuro deve-se ao fato de q vc possui esperança.. sabe q algo vai acontecer, seja bom ou mau..
Não entendi bem o nome "aforismo insensatos".
Mas falando um pouquinho sobre cada ponto.
1. Até pode haver alguma comparação contanto que não nasça inveja ou jactância. Gratidão não tem nada a ver com essas últimas.
2. Concordo sim que todas as respostas têm muito parâmetros.
3. Existem sim oportunidades únicas.
4. Não concordo... Tenho amor. Paixões e vontades também, que muitas vezes se confundem.
5. Concordo.
Uma semana depois, enfim comento.
1. A desgraça alheia não deveria gerar celebração.
2. Existirá um nível onde o sim e o não serão suficientes. Talvez não será atingido.
3. Pois é (brilhante comentário).
4. Amor e paixões geram vontades. Este pode ser efeito daquelas causas.
5. Só este aforismo valeria o preço da postagem. Ah, é, ler postagens é de graça. Deixa pra lá. =)
1. É interessante essa frase do Teo: "A desgraça alheia não deveria gerar celebração."
Pois me fez questionar:
- quem exigiu o sacrifício de Jesus? Quem exigiu a sua morte na cruz? A humanidade? Pilatos? os judeus? O Diabo? O Pai?
"Ferido de Deus" diz em "Isaías 53.4".
Como eu coloquei no meu primeiro comentário sobre este post, a desgraça de Jesus é nossa graça. Nós celebramos o sacrifício dele em nosso favor. A desgraça alheia a Jesus gera nossa celebração e gratidão.
... e quando comparamos o nosso sofrimento pessoal ao dele, não apenas sabemos que ele compreende o que estamos passando, como também sabemos que ele sentiu algo muito pior por nós. Mas não é exatamente que nossa gratidão depende dessa comparação, mas a comparação também nos traz compreensão do sacrifício de Jesus por nós... e do quanto ele sofreu por nós.
Rahel, Cristo é o que podemos chamar de singularidade. Quando me propus a fazer aquele aforismo estava pensando em relações humanos unicamente. Talvez falha minha em não fazer a ressalva...
Raphael,
Acho que não há falha alguma sua.
Eu é que sou chato o suficiente para ficar batendo na mesma tecla a ponto de inclusive lembrar ainda que Jesus é Deus e foi ser humano também...
... e acho que a relação dele com a humanidade não é apenas espiritual mas também humana. Mas eu me rendo... prometo não insistir mais do que já fiz até aqui.
.um grande abraço.
.de chato mesmo.
.el.
Rahel, celebrar o sacrifício é macabro. As pessoas respeitam e agradecem constrangidos o sacrifício de Jesus, mas o que elas realmente celebram é a ressurreição.
Olá Teo,
Descumprindo minha "promessa", volto a comentar, digamos que como um "direito de resposta".
Entendo que celebramos o sacrifício sim, certamente na perspectiva da ressurreição... mas também como nossa própria morte para o pecado, como Paulo fala em "Filipenses 1.29". Justamente por causa da perspectiva da ressurreição é que olhamos para a morte de Jesus e nossa própria morte sem qualquer visão macabra.
Nesse sentido discordo do adjetivo.
Nós, como cristãos, celebramos a cruz e temos motivo para isso pois ela significa sacrifício vicário exatamente como no texto profético de "Isaías 53.10", onde Jesus se coloca como oferta pelo pecado.
Mais do que isso, penso que o achar essa perspectiva macabra, pode tirar também a vontade de Deus de contexto, e chamando-o de macabro também pois "foi da vontade do Senhor esmagá-lo, fazendo-o enfermar" (Isaías 53.10).
O que disse Jesus aquele discípulo que queria evitar a sua morte? (Mateus 16.21-23)
Não é macabro não... é a realidade linda e sensacional do que Jesus fez por nós. E temos muito o que celebrar com isso.
Olá, Rahel. Desculpe, mas tudo não passa de rearranjar palavras. Não estou negando o significado do sacrifício de Cristo e você está apenas fazendo jogos semânticos com os termos.
Sem problema, Teo.
Mas não estava tentando fazer "apenas" e muito menos "jogos semânticos". Você achou que minha opinião sobre celebrar a morte e o sacrifício de Jesus era algo macabro... e eu procurei fundamentar biblicamente minha postura de celebração.
Mas, como disse, tudo bem.
Aqui então finalmente divergimos em nossas visões:
- você acha macabro, eu não;
- você acha minha fundamentação jogo semântico, eu não.
Acontece todo dia, nem sempre concordamos com as pessoas.
.um grande abraço.
.em Jesus.
.Rahel.
É verdade, admitir que há uma discordância é melhor nesses casos. Poupa tempo de debate.
Na próxima, quem sabe, chegamos a um consenso... =)
E viva (ou não) a dialética.
Postar um comentário