A espiritualização das missões
Existem atualmente várias agências missionárias cristãs que facilitam e sustentam pessoas pregadoras do Evangelho ao redor do mundo. Não é difícil encontrar em tais agências rankings e listas indicativas de onde existem locais com grande perseguição. Inclusive dando ênfase a certos lugares como a dita Janela 10/40 e países com um regime socialista, especialmente Cuba, China e Coréia do Norte.
É quando comparamos essas listas com o "amar aos inimigos" que a falta de ação dos evangélicos se faz presente, dentre outras muitas situações. Se deve-se amar a todos porque não praticar isso pregando a liberdade de expressão para todos? Porque quando são feitas as listas de perseguição exime-se de falar que as demais religiões também são perseguidas? Porque fala-se das atrocidades acometidas, por exemplo, a cristãos na Índia e esquecem que o mesmo ocorre com muçulmanos? Não seriam os cristãos, os supostos agentes do amor divino, os primeiros a denunciar tais coisas independente de quem tenha sofrido?
Pode-se argumentar que o Evangelho não prega liberdade de expressão. Pois bem, de forma explícita não é possível observar esse ponto em específico realmente. Mas a mensagem cristã é a de amor, simples e óbvio, que em ações varia com a época. Nos dias atuais nada melhor que a pregação da liberdade de expressão para que o amor não fique somente na boca de pregadores insólitos.
Entendo que missões verdadeiras são aquelas que pregam liberdade para todos. Permitindo assim que o amor transforme-se de palavra traduzida para centenas de linguas em ação cristã conhecida por toda humanidade. Qual expressão maior de amor que a compreensão?
Está mais do que na hora de cristãos pararem de olhar a pregação com o objetivo de se fazer proselitismo. Prega-se porque ama, simples e utópico assim.
É quando comparamos essas listas com o "amar aos inimigos" que a falta de ação dos evangélicos se faz presente, dentre outras muitas situações. Se deve-se amar a todos porque não praticar isso pregando a liberdade de expressão para todos? Porque quando são feitas as listas de perseguição exime-se de falar que as demais religiões também são perseguidas? Porque fala-se das atrocidades acometidas, por exemplo, a cristãos na Índia e esquecem que o mesmo ocorre com muçulmanos? Não seriam os cristãos, os supostos agentes do amor divino, os primeiros a denunciar tais coisas independente de quem tenha sofrido?
Pode-se argumentar que o Evangelho não prega liberdade de expressão. Pois bem, de forma explícita não é possível observar esse ponto em específico realmente. Mas a mensagem cristã é a de amor, simples e óbvio, que em ações varia com a época. Nos dias atuais nada melhor que a pregação da liberdade de expressão para que o amor não fique somente na boca de pregadores insólitos.
Entendo que missões verdadeiras são aquelas que pregam liberdade para todos. Permitindo assim que o amor transforme-se de palavra traduzida para centenas de linguas em ação cristã conhecida por toda humanidade. Qual expressão maior de amor que a compreensão?
Está mais do que na hora de cristãos pararem de olhar a pregação com o objetivo de se fazer proselitismo. Prega-se porque ama, simples e utópico assim.



12 comentários:
"Na sexta-feira, 30 de março [2007], a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução aparentemente inócua de combate à difamação religiosa, por 24 votos a 14 e nove abstenções, proibindo a difamação a qualquer religião, em particular ao Islã."
[http://liberdadedeexpressao.multiply.com/reviews/item/23]
Liberdade de expressão é um luxo que poucos podem realmente gozar... basta ver a polêmica resolução da ONU noticiada acima ou o que se diz sobre o PLC 122 no Brasil (link abaixo).
[http://liberdadedeexpressao.multiply.com/journal/item/63]
Eu não acho que o proselitismo seja o problema. Por trás de toda pregação cristã ou não, religiosa ou não, há uma intenção de converter pessoas para a sua própria causa. Todos querem, em maior ou menor grau, conversão das pessoas ao seu redor.
Mesmo ateus hoje cada vez mais militam pela conversão de religiosos à sua crença. Da mesma forma como alguns grupos se organizam para impedir que outros grupos manifestem a sua opinião, segundo determinados críticos do PLC 122, por exemplo, militando contra o próprio valor da liberdade de expressão. Ambos os grupos tem, com essas ações, se "declarado" inimigos dos cristãos.
Mas nós só temos uma opção: amar nossos inimigos (não os que declaramos assim, pois não temos esse direito, mas aqueles que se declaram nossos inimigos).
Fazer proselitismo ao ateísmo? Normal.
Fazer proselitismo ao cristianismo?
Errado.
Qual é o problema em querer converter pessoas?
Amar no cristianismo é exatamente isso: pregar com a intenção de que pessoas se arrependam de terem dado as costas para Deus e agora voltem-se a Ele. Amar é querer a conversão... sem que haja desconexão com respeito à diversidade, liberdade de expressão, e compreensão com as diferentes escolhas de cada pessoa.
Rap, há cristãos que só olham pro seu próprio umbigo, mas entre os missionários isso não pode ser considerado um padrão generalizado (a não ser entre evangélicos de grupos mais novos). Grande exemplo foram os missionários batistas no Brasil, que se empenharam em conjunto mesmo com a Maçonaria contra a existência de uma religião estatal.
E a questão é mais prática. A missão do pregador é anunciar o Evangelho. Engajar-se em outra causa mais ampla ou mais exposta pode ser perigoso para sua missão primeira. Além disso, com a faca no pescoço é difícil pensar em outra coisa a não ser que a faca está em seu pescoço.
Conversava dia desses sobre missões e chegamos à seguinte conclusão: prega-se a religiosidade, não o amor.
Penso assim, dentro do que já foi dito até aqui:
. se olharmos para "1 Coríntios 13" simplesmente como uma carta bonita sobre o amor, teríamos mesmo apenas uma decisão entre pregar o amor ou qualquer outra coisa;
. mas quando olhamos para o livro de Atos e outros grandes exemplos dos primeiros missionários, podemos observar que o diferencial destes não era pregar a religiosidade, nem o amor pelo amor, mas a pregação nominalmente a personificação do amor de "1 Coríntios 13":
"E descendo Filipe à cidade de Samária, pregava-lhes a Cristo." (Atos 8.5)
"(...) e logo nas sinagogas pregava a Jesus, que este era o filho de Deus." (Atos 9.20)
... e lemos ainda que pregavam o Evangelho (Atos 14.7), a Palavra de Deus (Atos 15.35), pregavam batismo de arrependimento (Atos 13.24), e o Reino de Deus (Atos 20.25).
Não lembro de pregarem o amor... não o amor pelo amor, mas a personificação do amor, Jesus, esse sim, foi amplamente pregado - por isso fomos chamados "Cristãos" já no primeiro século. Com isso não quero dizer que não podemos falar em pregar o amor, pelo contrário, com certeza esse é a missão. Mas quero entender que está mais do que, nos exemplos que vemos, pregar o amor é pregar a salvação gratuita em Jesus... certamente também em nossas ações.
Pregamos porque amamos.
Sem dúvida!
E disse anteriormente que pregar é querer conversão, mas quero complementar que não deixamos de amar por falta de conversão.
Amar é pré-condição da missão, mas a missão é pregar que esse amor incondicional que temos se personificou com perfeição somente em uma pessoa: Jesus.
Rahel, o proselitismo é ruim quando ele é o fim por si mesmo. Quando fala-se atualmente em pregações do Evangelho o que temos é um falar sobre Cristo e uma conversão à igreja. São duas coisas completamente distintas. Afinal, se não fossem, aceitaríamos de bom grado um cristão que não congrega ou está em um mesmo ajuntamento ao qual foi chamado em um primeiro momento.
Devaneios a parte sobre a questão da Igreja em si, digo o seguinte: se a intenção da igreja é pregar o Cristo personificado, o que é isso senão segui-lo em passos, quais sejam: praticar o amor?
Veja que a prática de tal sentimento é sim temporal, afinal há de se convir que falar com uma samaritana atualmente não tem significado algum.
Chamo atenção para o fato de que a melhor demonstração da personificação de Cristo é a prática do que Ele pregou, e se ele pregou o amor, porque não praticá-lo por intermédio da pregação da liberdade de expressão?
O fato de termos doutrinas como justificação, santificação dentre muitas outras não quer dizer nada se não houver um "pré-requisito" chamado amor...
Teo, não vejo a pregação da liberdade de expressão como algo que ofuscará a pregação do Evangelho, muito pelo contrário... não há que se dizer em pregação do Evangelho se não houver a prática dele.
Rafael, concordo plenamente...
Raphael,
Acho que você mudou um pouco o que eu falei... não falei em seguir a "personificação de Cristo", pois entendo que isso seria apenas ver Jesus como mestre cujos passos devem ser imitados. Isso colocaria a mensagem da cruz como algo que cada um alcança por si só, por seus próprios méritos e não pela graça de Deus e pelos méritos de Cristo.
Por isso falei em pregar sobre a "personificação do amor", que é Cristo. Pregar a Cristo, como disse, é sem dúvida viver também esse amor, na perspectiva que somente Jesus foi perfeito em viver essa personificação. Nós seremos falhos, e vamos precisar de arrependimento e perdão.
Nessa perspectiva, sem dúvida que o proselitismo com um fim em si mesmo não tem sentido, pois estaríamos pregando a Cristo com o mero objetivo de encher a igreja ou uma denominação cristã como um demonstração de força e poder e não por amor.
Não discordo de suas palavras sobre pregar, com amor, e defender a liberdade de expressão de todos. Como eu disse anteriormente:
"Amar é querer a conversão... sem que haja desconexão com respeito à diversidade, liberdade de expressão, e compreensão com as diferentes escolhas de cada pessoa."
Mas veja que me refiro a Jesus como a única personificação do amor perfeito e defendo como os primeiros cristãos que ele deve estar no centro de toda conversão pois não há salvação em apenas viver seguindo um modelo de amor, sem antes aquele que é a personificação desse amor tenha transformado você um dos seus escolhidos.
Nesse contexto, falar com uma samaritana tem muito significado quando compreendemos que o gesto de Jesus era em relação aos excluídos, quando falou com a samaritana. Falar com a samaritana é, portanto, se aproximar daqueles que hoje a sociedade ainda abomina, sem preconceito, sem julgamento... por causa do amor que conhecemos. Pois não o seguimos para ser salvos, mas porque somos salvos.
Assim entendo a pregação de Jesus, assim entendo o que é segui-lo.
Mas é verdade que há muita distorção que colocam denominação, igrejas, pessoas, e o amor pelo amor, proselitismo pelo proselitismo no centro da pregação ao invés de pregar a Cristo.
Sim, acho que temos que lutar pela liberdade de expressão como a conhecemos hoje.
Rahel, creio então que não discordamos. Ou ao menos, através da dialética, chegamos a uma síntese.
Raphael,
Pelo que acompanho o seu blog, não discordamos não. Além disso, quando discordo procuro deixar claro usando a própria palavra claramente... no meu primeiro comentário, estava apenas partindo do que você escreveu para desenvolver uma linha de pensamento, algo complementar por assim dizer.
Enfim...
Os comentários de Rahel são muito coesos, não consigo complementa-los, apenas comprimenta-lo e co-assinar em baixo.
Também, entendo o que RAP quiz dizer, só devemos ter cuidado em focar tanto no erro que deixamos ao lado o certo.. " Prega-se porque ama, simples e utópico assim.".. não consigo concordar com isso.. mesmo que muitos mercenários tornem a pregação e o amor em coisas tão distintas, a verdade é outra.
Mas foi um bom papo.. rsrs.. merecia um podcast.. com vcs.
Abraços.
(risos)
Só pra explicar, o que não concordei, foi em pregar por amar ser utópico.
Olha ai.. reverberei este post.
http://manoelivia.blogspot.com/2009/04/reverberando-rapensando.html
Valeu.
Não é questão de ofuscar, Rap, mas de prioridades.
Qual é a nossa missão? Ou melhor, qual é a minha missão? E a da igreja?
Fazer missões é sempre um acto de AMOR!
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