Sexta-feira, Abril 10, 2009

A estranha entidade

Há no mundo um clamor no âmbito das ações por uma entidade que é exaltada em muitas religiões, usualmente chamada de amor, paixão ou caridade.

Quando trata-se de situações hipotéticas é fácil perceber o amor e a misericórdia. O cristão que recita a parábola do bom samaritano, o hinduísta que nem determinados tipos de animais pode matar, o budista que eleva a meditação e o amor a toda natureza. Enfim, exemplos são inúmeros. O fato é: um princípio tão básico e majoritariamente aceito se desenrola em questões tão complexas que chegam a causar discórdia violenta.

O amor pode ser usado para argumentar a favor e contra o aborto, o estudo de células-tronco, a eutanásia e muitos outros assuntos.

A verdade é que amor não é uma realidade fática. Em determinado momento teremos um dilema, uma indecisão. Em algum momento dois lados opostos usarão o amor como principal argumento e os dois lados pesarão igualmente.

O que fazer perante isso? Clamar pela moral pré-estabelecida? Tentar a "sorte"? O dilema tem de ser resolvido. Alguém terá de desnivelar a balança.

É nesse exato momento que o desdobramento do amor se torna incoerente. Afinal quem seria capaz de "dar o braço a torcer" senão aquele que ama?

A prática, no entanto, como é possível de se observar, é a de que em momentos duais o amor é o que menos se manifesta. O que se manifesta então? O que por último decide o aborto, a eutanásia? O desejo de auto-preservação, sem dúvida.


UPDATE: Creio ser interessante fazer uma manifestação de esclarecimento quanto a esse texto e a um ponto do último. O que quero destacar é o fato de que o altruísmo que tanto a igreja diz que devemos ter é impossível de ser realizado justamente por sermos corruptíveis. É assim que interpreto o "já nascermos em pecado". O amor em totalidade nunca poderá por nós ser realizado, somente sentido, mas nunca feito. Sempre temos mais de um desejo, uma vontade para realizarmos uma ação.

De forma sutil, tentei fazer referência à Páscoa. Já que creio que a maior diferenciação entre o sacrifício de Cristo e o de qualquer outro humano é justamente a inexistência de qualquer outro interesse além da redenção humana, ao contrário de nós, seres que nascemos em corpos corruptíveis e consequentemente com vontades distintas e muitas quando praticamos um ato simples.

Enfim, espero ter esclarecido, senão de forma pontual espero ser mais claro nos comentários.

21 comentários:

Teo disse...

Muito bom. Interessante e realista. O amor pode ser usado na argumentação, mas só será demonstrado se houver prática.

Kessia disse...

desejo de auto-preservação ou egoísmo?

po.. no outro texto o amor era vontade.. e agora é entidade?
n to entendendo....
(mode "enxendo o saco" on) rsrs

Kessia disse...

ah, esqueci de dizer que, apesar de n ter mto a ver, me lembrou da história onde Salomão teve q descobrir quem era a mãe de um garotinho... para salvar o filho, a verdadeira mãe estava disposta até mesmo a perdê-lo.. o verdadeiro amor é altruísta... está sempre disposto a "dar o braço a torcer" se necessário..

Rahel disse...

Seguindo exemplo da Kessia, mas em um nível diferente, próprio "d'el": mode "enxendo ainda mais o saco".


Pensando sobre as perguntas finais:
O que por último decide o aborto, eutanásia entre outros dilemas continua sendo o amor.

Como falei no post dos aforismos, nossas vontades em geral são reflexo de nossas paixões, ou, conforme evoquei o texto Bíblio: onde está nosso tesouro ali estará nosso coração. Tomamos decisões conforme nosso coração está postado: em paixões aqui, acolá.

O que temos entesourado?
Essa é nossa idolatria.


O amor é, portanto, o que se manifesta nas decisões mais dilemáticas também.

Pois aquilo que você chamou de "auto-preservação" Jesus chamou de "amar a si mesmo". Não é por menos que o modelo de relação que Jesus propõe está baseado nisso: amar o próximo como a nós mesmos.

Pois, em última instância, quem decide é esse amor:

- se Jesus é nosso ídolo, nosso próximo está, no mínimo, em pé de igualdade com nosso amor próprio. E ele ainda oferece um modelo mais radical de amizade: aquele que dá a vida em favor dos outros.

- se nós somos nosso próprio ídolo, se as outras pessoas são nossos ídolos, se é a liberdade que consideramos ter, se é nossa família, enfim, vamos decidir conforme esses tesouros do nosso coração.

Mas o amor parece estar realmente, sempre nos momentos decisivos.

Barbara disse...

Ultimamente o que manda é a razão e nao o amor...
Eu acredito que tudo tem que ser feito com amor.. Todas as nossas decisões tem que ser tomadas com amor...
O aborto por exemplo, não existe uma pessoa que aborta e diz que foi por amor. Se falarem isso é mentira!
Não existe matar uma pessoa por amor. Quem ama cuida e não mata!
Sendo assim, nem sempre o amor é argumento para certas coisas.

Rahel disse...

Olá Bárbara,

Você tem razão: quem ama cuida e não mata. Mas o amor a si próprio e não aos outros, mata. O amor a si próprio, "ao direito ao corpo", leva muitas mulheres ao aborto pois elas querem o seu próprio direito a amar a si antes que qualquer coisa - "direito ao corpo" é amar, portanto.

"Ultimamente o que manda é a razão", por isso concordo mais uma vez com você que "todas as nossas decisões tem que ser tomadas com amor", e são... por isso a razão cai por terra nas decisões humanas quando tem amor ao dinheiro na jogada, por exemplo.

... mas vamos considerar que não podemos confundir "amor" com "amor".

Então, talvez devesse fazer distinção entre:
- "amor" (agape) conforme descrito em "Croíntios 13", cujo único modelo perfeito é Jesus;
- "amor" (epithemia), que literalmente seria algo próximo a "super-desejo", também traduzido na Bíblia como "maus desejos" em algumas cartas. Mas a palavra original trata de um desejo que supera qualquer outro, ou seja, ele não é necessariamente um desejo que nos aponta para coisas más.

Por exemplo, a família é valor cristão, não é algo mau por natureza. Mas um "super-desejo" pela família pode tirar Deus do centro de nossas vidas.

Muitas vezes podemos confundir esse "super-desejo" com amor pela família... devemos amar a família, amar a família é bom, correto, moral e saudável, mas quando ela está em primeiro lugar e acima de Deus ela se torna nosso ídolo. E aí sim, a tradução encontrada para "super-desejo" como "maus desejos" pode parecer correta.

Então, biblicamente, temos um modelo de amor centrado em Jesus concorrendo com outro modelo de amor centrado nos nossos outros "super-desejos", que tira Deus como peça central colocando inclusive valores apontados na Bíblia como bons no lugar de Deus.

Raphael Rap disse...

Kessia, não se trata de encher o saco, podes falar livremente. O amor como relatado na prática nada mais é do que vontade de auto-preservação, egoísmo ou como queiram chamar. Isso não impede que seja um entidade, não vejo qual o problema conceitual, já que uma entidade pode ser expressa em ações, no caso... vontades.

Uma mãe que se doa pelo filho ou os famosos casos de altruísmo nada mais são do que vontade de se preservar através de outra pessoa. Veja que isso não é "forçar a barra". O que estou querendo dizer é que não existe altruísmo em totalidade no ser humano. É algo divino demais para se manifestar em totalidade em nós. Sempre temos interesses em um ato que analisado isoladamente é considerado altruísta. Veja o exemplo da mãe vindo à tona novamente, ela seria capaz de viver com a consciência de um filho morto porque foi incapaz de fazer algo extremo? Oras, é verdade que não podemos saber quais são os interesses internos de uma pessoa, no entanto, conhecemos em profundidade a natureza humana, afinal somos dessa espécie animal.

No mais, fiz um update no post espero ser mais claro por lá...

Rahel, quando fala-se de auto-preservação não se está falando implicitamente de amor-próprio?

Quanto ao mais não discordo muito...

Thiago Bomfim disse...

O amor altruísta é o centro da pregação dessa nova teologia, ou melhor, dessa velha teologia resgatada e rotulada relacional.

Mesmo sendo um belo discurso, sabemos que amor altruísta não existe, exceto na natureza divina.

Entretanto, devemos destacar que o sofrimento alheio incomoda, não porque sentimos dor pelo próximo, mas pelo fato de ver que alguém foi apresentado a um sofrimento maior que aquele que sobreveio a nós.

Logo, aquilo que chamamos de amor, é na verdade um sentimento de culpa e incomôdo,desenhado ao longo de nossa história humana, com ajuda da religião e das filosofias de vida.

Rahel disse...

Olá Rapahel,

Certamente que auto-preservação e amor -próprio andam lado a lado, talvez não necessariamente sendo precisamente a mesma coisa.

Para todos os efeitos, vamos considerar a mesma coisa: amor (epithemia) e autor-preservação.


Na minha opinião, não disse nada diferente do seu post original, meu intuito era seguir na discussão com a qual concordava...

... da mesma forma como, me parece, seguimos contando com a mesma compreensão. Como disse anteriormente, só há um modelo perfeito de amor (agape): Jesus.

Como também observou o Thiago sobre o amor altruísta não existir a não ser na natureza divina. Justamente por isso, penso em Jesus como personificação do texto de "1 Coríntios 13". Muitos pensam que é um modelo a ser seguido... eu entendo como um modelo impossível de ser seguido. Ainda que não deixe também de ser modelo. E sendo modelo, somos chamados à segui-lo, não?

Da mesma forma, leio a história do "Bom Samaritano" não apenas como um exemplo a ser seguido mas como a história da salvação: a humanidade é o camarada à beira da estrada, sem ter como salvar si próprio. E Jesus é o samaritano que doa seu tempo em favor dele.

Entendo inclusive que quando invertemos essa parábola desse forma, encontramos uma motivação cristocêntrica para refletir o bem que nos foi feito para outros...

... mas sabemos, não seremos perfeitamente altruístas, nem seremos um grande exemplo de amor. E aí, mais um vez, temos a quem recorrer... oramos pela misericórdia de Deus, para que ele veja não as nossas obras a mas a obra de Jesus por nós e em nós. Por isso disse no meu primeiro comentário que, de uma forma ou de outra, o amor parece sempre estar decidindo: ou na forma daquele "super-desejo" ou na forma "agape".

.em Jesus.
.el.

Jairo César disse...

O homem naum eh capaz d amar...

Será??

Será q, entao, existe o amor?

Ou será tdo fantasia?

Uma pergunta q me fizeram e q naum soube responder (na verdade me deixou um tanto intrigado): o homem eh capaz de amar a mais de uma pessoa ao msm tempo??

Mano e Lívia - Os DelaSilva disse...

Sabem...
Estava conversando com um colega de trabalho, sobre seguir o exemplo de Jesus, quando ele me soltou essa: "Oras! Aquele papo de amar ao próximo como a ti mesmo é impossível. É historinha!"... respirei fundo e tirei toda a emoção do momento, e quis analisar e entender o comentário que havia tanto me espantado. Continuando a conversa, ele soltou outra: "Jesus pediu para que fizéssemos coisas impossíveis a nós, meros mortais. Não estamos, nem nunca estaremos no nível dEle, era, e é impossível! Ele já sabia disso."... pois bem.. outra vez respirei fundo e fui analisar o que acabara de ouvir... bom, é uma opinião que tem uma coerência lógica tremenda.

Percebi que a linha de entendimento dele é bem parecida com a de vocês.

Mas não consigo conceber assim. Ainda ficarei com a interpretação, ingênua ou romântica, de que é possível a nós, homens de boa vontade, amarmos como Jesus amou. Ou estaria eu sendo pré-potente? Sim, pois se tal amor é coisa apenas divina, estaria eu querendo ser divino? Não apenas por buscar tal amor, mas por achar possível aos homens. Síndrome de Prometeu?
Cabe dizer que ainda não alcancei. Estou longe disso.
Deixo de amar o Dunga toda vez que a seleção joga mal. (risos). Brincadeira, até quando a seleção joga bem, eu não consigo amar o Dunga! Caramba! Dunga??

Rahel disse...

Eu realmente acho que Jesus pediu coisas impossíveis! Amar como ele amou é só uma delas.


Talvez até tenhamos amado ou conseguimos amar perfeitamente uma pessoa ou algumas pessoas, por alguns segundos, minutos, horas ou dias; mas manter esse sentimento, sem variações - mantendo perfeito aquele nível de "1 Coríntios 13" - acho que aí me parece impossível.

Se fosse possível, acho que Paulo não teria lembrado que "não há justo, nem sequer um" (Romanos 3).

Agora, me parece ceto também que Jesus nos chamou para ser perfeitos como o Pai (Mateus 5.48). Mas, como pode isso?

De uma lado sabemos que não somos justos, por isso precisamos da justificação, do perdão de Deus; e do outros Jesus exige de nós perfeição?

Entendo que Jesus respondeu a pergunta ao afirmar que nos deu a glória que recebeu do Pai para que sejamos "perfeitos em unidade" (João 17.23). E ainda completa que essa ele pede perfeição na unidade:

"(...) para que haja neles aquele amor com que me amaste, e também eu neles esteja" (João 17.26)


Me parece que é pelo vínculo formado entre nós e o Pai através de Jesus que Deus imputa sobre nós o "vínculo da perfeição" (Colossenses 3.14). Jesus como o único e verdadeiramente perfeito amor encarnado de "1 Coríntios 13" faz com que Deus olhe para nós e veja a perfeição dele em nós, e não nossas imperfeições.

Entendo que é por isso que quando percebemos que não podemos ser perfeitos como é nosso Pai, podemos pedir novamente que Ele olhe para a perfeição da obra de Jesus em nós e não para nossas injustiças - pedindo perdão pelas nossas imperfeições.


(...)
Mas, falando sério agora (rs):
Dunga?

Mano e Lívia - Os DelaSilva disse...

Sabe Rahel,
Penso que o maior perigo dessa linha de interpretação, é de que, de uma forma espontânea e até inconsciente, naturalmente iremos baixar o nível do nosso referencial, que é Cristo. Pois, se o mesmo é inatingível, isso em si, já é uma justificativa para não irmos além da força do nosso braço.

(...)Falando sério? E por acaso ao falar de Dunga pode-se ser sério? (risos)

Rahel disse...

Eu não vejo perigo nessa interpretação. Mas vejo a autoridade de Deus acima de tudo. O poder dele acima do meu. O amor dele perfeito e forte, enquanto eu sou fraco e preciso dele, lembrando que Paulo parecia entender isso de forma que disse que o poder de Cristo se aperfeiçoa nas suas fraquezas (2 Co 12.8-9): "Porque quando sou fraco, então é que sou forte" (2 Co 12.10)

O que estou falando é no sentido de não confiarmos mesmo na força do nosso braço. Se quero ir além, vou na força do braço forte de Deus. Sabendo que vem dele tanto o meu querer como o realizar (Filipenses 2.13)


Assim, quando quero amar perfeitamente: amo como Cristo me amou. E, mesmo sabendo que não sou perfeito, espelhado em Cristo e com a força do Espírito Santo, amo. E quando perceber que meu amor é fraco perto do dele, é que percebo que o poder dele ainda está lá, em mim, me perdoando... e renovando a minha vida. "Porque quando sou fraco, então é que sou forte" (2 Co 12.10)

Sem riscos.
Deixando Deus ser Deus, ser maior, ser perfeito, e ser amor por mim e em mim, especialmente nos meus momentos mais errados - porque sou fraco.


(...)

Com minha mais séria feição:
Estou dan-Dunga-rgalhadas.

Mano e Lívia - Os DelaSilva disse...

Quanto a questão do "braço forte", que na verdade é fraco, pois a força é, e vem de Deus, eu concordo contigo sim.
Agora, quanto a amar, cara, isso ainda não faz sentido pra mim. Quer dizer, sentido faz, apenas me recuso a crer nisto. Não por teimosia, talvez por ignorância.

Entender que Jesus nos pediu algo que, Ele mesmo já sabia não ser possível, torna-o manipulador, mentiroso e até mesmo, um mestre Yoda, fazendo aquelas "pegadinhas do malandro" com o Luke Skywalker, ou ainda, aquele treinamento louco do sr. Miyagi com o jovem Larusso.

Crer que o "Amaivos uns aos outros como eu vos amei" e o "Amai a vossos inimigos", não passou de um engodo ou artíficio?!

Isso tudo me é tão estranho, que daria para pirar em outras questões como: o "Quem quiser me seguir, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e segue-me" e o "Aquele que crer em mim, também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas", não passariam de cordões guias de marionetes, que só serviriam para iludir os Pinochios, os quais, nunca se tornariam meninos de verdade, no caso da alegoria, como Jesus.

Pois assim como amar, sofrer como Ele, e realizar obras como as dEle, nos seria impossível também.

Continuo a crer, que a distância que estamos do alvo, não torna impossível alcança-lo. Paulo diz: "Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas vou prosseguindo, para ver se poderei alcançar aquilo para o que fui também alcançado por Cristo Jesus." ... Não, ele não alcançou, mas botou como meta de vida alcançar, prosseguir para o alvo, não pelo seu braço, mas pela maravilhosa graça.

(...)
Desabafando sério agora, Dunga na seleção é "Dunga-ramba". (não foi tão boa como a sua, mas tive idéias piores.. rs)

Rahel disse...

Perfeitamente!
Acho que estamos começando a chegar em pontos um pouco mais de comum visão. como você colocou: Paulo colocou como meta de vida alcançar o alvo, não pelo seu braço.

Minha ressalva é que ele deve ter alcançado a ressurreição do mortos que era seu alvo, que em "1 Coríntios" ele chama de "coroa incorruptível".

Mais uma vez ele deixa claro que a perfeição não é humana, é de Cristo, e por Cristo temos essa perfeição na nossa vida, aos poucos, por isso talvez ele diga também que "naquela medida de perfeição a que já chegamos, nela prossigamos." (Filipenses 3.16)


Eu entendo que pareça estranho, por um lado, e por outro não acho estranho que eu não seja capaz de amar com a perfeição com que Cristo amou. Amo naquela medida de perfeição a que já cheguei.

E como o próprio Paulo afirma em Romanos, o mal que eu não quero eu faço e o bem que eu quero, esse eu não faço (Romanos 7.15). Mas graças a misericórdia de Deus, temos Jesus de "modo que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado." (Romanos 7.25)


Acredito que recebemos o amor que Jesus e amamos da forma mais próxima da perfeição com que podemos, como reflexo do amor de Deus, mas o pecado segue nas nossas veias, como disse Paulo, na carne servimos à lei do pecado... então não atingimos a perfeição de Cristo, mas graças a Deus, Cristo em sua perfeição no atinge.


Compreender essa realidade que Paulo compreendia, não me faz perseguir menos do que ele o alvo. Pois quero também lutar o bom combate e perseverar.


(...)

Desabafando então: (quer umas piores ainda? Eu pensei e criei coragem...)

Dunga-bumga, onde foi parar o Caverninha!

Mano e Lívia - Os DelaSilva disse...

Agora me faz sentido.

"Compreender essa realidade que Paulo compreendia, não me faz perseguir menos do que ele o alvo. Pois quero também lutar o bom combate e perseverar."

Apesar de você já ter dito isso anteriormente, com outras palavras, ou com outros detalhes, transformava os ensinamentos de Jesus em sofismas. Acontece também, que sábado passado, tive um bate-papo/entrevista no msn com um colega de trabalho sobre espiritualidade, e ele disse coisas parecidas em relação ao tema, entre outras "cositas mas". Eu postei o papo no meu blog, não está bem elaborado nem nada, mas se quiser dá uma conferida: http://manoelivia.blogspot.com/2009/04/entrevista-jesus-pediu-para-sermos-como.html

A minha concordância contigo agora, deve-se também, à minha inquietude constante ao ver vários pregadores, tentarem elevar a condição do cristão evangélico, a algo superior em relação aos ditos "mundanos". E realmente, seguindo essa linha exposta aqui, Jesus se torna ainda mais exaltado, e nós (toda a humanidade), ainda mais pecadores necessitados da graça.

(...)

Seguindo a série os piores: Se ele continuar na seleção, eu não assisto jogo do Brasil Dunga mais.

Rahel disse...

Eu não tinha a intenção de fazer sofismas, achei que estivesse sendo claro. Mas ficou claro que não fui e agora, finalmente, acho que concordamos.


Eu vejo Jesus como mestre, mas acima de tudo como salvador:
1- quando Jesus é visto apenas um mestre, na minha opinião, quem o vê exclusivamente assim, geralmente acha ser possível seguir perfeitamente tudo o que ele fez, basta ser mais ou menos "iluminado";
2- quando ele é visto apenas como salvador, seus exemplos são anulados e a graça de Deus fica "barata", pois quem o vê exclusivamente assim, não age, fica morno, pois o importante é ser salvo apenas;
3- quando Jesus é mestre e salvador, nós o seguimos, queremos ser perfeitos como ele pois ele mesmo nos incentivo a progredir, embora já saibamos que o resultado será a demonstração de nossa natureza pecaminosa e de nossas fraquezas. Justamente aí Jesus entra outra vez com suas palavras de candura, com sua salvação nos regatando dessa condição com sua graça e misericórdia quando mais nos sentimos humilhados e impossibilitados de segue-lo por nossas próprias forças.

Sobre a entrevista, por hora, adianto que achei sincrética.

(...)

Sobre a parte séria do nosso papo:
Sem comentários.
Você se superou agora.
Tudo que consegui pensar, ficou perdido no tempo, minhas respostas ca-Dunga-ram. (sim, foi a pior de todos os tempos)

Mano e Lívia - Os DelaSilva disse...

Vale destacar, que devemos ver Jesus, ainda com uma outra definição, que faz toda a diferença: Mestre, Salvador e DEUS.
Talvez, a referência divina, já esteja implícita na referência salvadora, mas ainda sim, é outro pesar, pois as concepções intelectuais e psicológicas em relação a Ele, não mais podem ser sustentada. Tipo: Analisar ou definir Deus?! Surto ou arrogância?
Sei que não foi isso que foi feito aqui, mas já abri o leque do papo (ou seria um outro post?)

Quanto ao papo-entrevista, o sincretismo está mais do que presente, ele dita a conversa, pois ele é latente no entrevistado. A minha intenção, foi tentar fazer perguntas diretas, coisa que não consegui, sobre a visão de um típico brasileiro: Madrugador no trabalho, respeitador da família, que crê em Deus e em Jesus, à sua maneira. Com o propósito de fornecer uma "visão raio-x", do pensamento/comportamento de um não-crente, sobre a temática espiritual.

Isso valeria de ferramenta evangelizadora. Mas de verdade, quem convence é o Espírito Santo, então, o papo-entrevista serve mesmo como aproximação e conhecimento, não pelo sincretismo ou ecumenismo, coisas que não acredito, mas pela quebra de pré-conceitos.

(...)
Falando sério, essa sua agora foi falta de e-Dunga-ção. (And the oscar go to... risos)

Rahel disse...

Pois é...
... explicando:

- não consigo imaginar salvação sem que Jesus seja divino, ou seja, Deus. Do contrário, ele seria apenas um mestre que nos ensina, como dizem o evangelhos apócrifos, como alcançar o auto-conhecimento e a salvação cada um por si.

Mas Jesus alcançou a salvação a cada um, através de sua obra como Deus, como Verbo.

(...)

O que você chamou de "ferramenta evangelizadora" e em seguida repensou, eu concordo perfeita e entendo inclusive a ressalva: é certo que é o Espírito Santo quem converte, mais uma vez vou "evocar" o exemplo do Paulo para demonstrar minha posição:
- ele sabia que a conversão é trabalho divino, unica e exclusivamente;
- e não deixou de usar "ferramentas evangelizadoras".

Eu entendo essas ferramentas como conhecer a cultura de quem ou a quem se testemunha. "Os judeus pedem milagres como prova, e os não-judeus procuram a sabedoria. Mas nós anunciamos o Cristo crucificado — uma mensagem que para os judeus é ofensa e para os não-judeus é loucura. Mas para aqueles que Deus tem chamado, tanto judeus como não-judeus, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus. Pois aquilo que parece ser a loucura de Deus é mais sábio do que a sabedoria humana, e aquilo que parece ser a fraqueza de Deus é mais forte do que a força humana." (1 Coríntios 1.22-25)

Judeos querem milagres e os gentios sabedoria...?
Não é uma análise cultural pura e simples do que cada grupo persegue dentro da sua macro visão de mundo?

Os Judeus querem milagres, são pragmáticos, querem saber "daquilo que funciona", querem em suas mãos o acesso mais rápido ao poder.
Por outro lado, os gentios são mais especuladores, querem indagar, buscam sabedoria, algo inteligível.

E diante disso Paulo oferece o que como testemunho e pregação?
"Para envergonhar os sábios, Deus escolheu aquilo que o mundo acha que é loucura; e, para envergonhar os poderosos, ele escolheu o que o mundo acha fraco." (1 Coríntios 1.27)

É o mesmo evangelho, não? Mas formas culturalmente diferentes, e ao mesmo tempo coerentes e complementares.
Paulo sabe que pregamos todos o mesmo evangelho (1 Coríntios 15.1-11).

(...)

Outro exemplo?
Paulo coloca que a sua palavra e pregação "não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus." (1 Coríntios 2.4)

Não era linguagem persuasiva, pois ele sabe que é o Espírito Santo quem converte, mas, ao mesmo tempo, sabendo utilizar o conhecimento sobre a cultura ele também afirma que "conhecendo o temor do Senhor, procuramos persuadir os homens" (2 Coríntios 5.11)


Por usar "ferramentas de evangelização" (="conhecimento da cultura"), imagino que Paulo fale, sem contradições, que ele quer "persuadir os homens" em um momento e em outro ele se "orgulha" de não ter sido persuasivo.


(...)

Perdão se fui mal educado, não pretendia disparar palavras rudes. Vou tirar o dedo Dunga-tilho.
Pronto!

Raphael Rap disse...

Fico feliz pela discussão de alto nível que está acontecendo nesse espaço.

Gostaria de fazer algumas considerações, basicamente complementares (ao menos na minha interpretação, redundância é pouco hehe)

Creio que a melhor palavra para nossa definição é miserável, e nesse ponto já tentei mergulhar em alguns outros textos. Afinal pela definição temos que miserável é aquele que necessita de misericórdia.

A partir do momento do reconhecimento do estado pecador humano o único pensamento ou o primordial pensamento é o do quanto precisamos de Deus, seu sacrifício é de tão grande significado e tão fático que não podemos negá-lo. E quando conhecemos a graça esse estado de miserabilidade faz-se ainda mais presente.

Oras, como um Deus pôde morrer para me perdoar assim de graça? Sem que nada eu fizesse? Como assim posso receber o amor dele sem nada dar em troca? E aqui ressalto o "nada", afinal alguns dizem que há necessidade de arrependimento. Ninguém recebe a graça por causa do arrependimento, o arrependimento é o agente causador do reconhecimento da graça divina e quando os olhos são abertos a graça faz-se irresistível (sem nenhuma apologia ao calvinismo rs)

Portanto, nesse sentido também pretendo visualizar o texto: o amor divino é inalcançável por nós humanos simplesmente porque estamos em corpos corruptíveis, já nascemos com pecado. É de nossa natureza o amor-próprio, o que chamo no texto de auto-preservação. E é nesse momento que "quando estou fraco, aí que estou forte" surge, nossas forças, nosso desejo de amar, deve sempre partir da ideia de que nunca o faremos em independência de motivos e desejos mas somente a partir da nossa união com o divino.

Espero que minha opinião tenha ficado clara...

E mais uma vez fico feliz pelo nível da discussão ter se mantido belamente até o presente momento. Espero que assim continue.

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