Sábado, Abril 25, 2009

Olhares

E aqueles olhos? Dizem que olhares sempre querem dizer algo, que a troca de olhares é mais efetiva que a de palavras mas, e aqueles olhos? Talvez machadianos, talvez no melhor estilo Nelson Rodrigues, talvez ainda um meio termo entre o romantismo quase platônico e a safadeza desvairada. Esse meio-termo era fatal.

Observar a fisionomia era um tanto quanto superficial, isso é o que todos dizem, mas não estaria todo o conjunto: pálpebra, olhos e cor montando o famigerado modo de olhar? Era possível observar sinceridade, inocência, obstinação, pudor, sexo, tensão, abstração, tédio e tudo que palavras levam páginas para expressar.

Aquelas janelas da alma! Podiam também mentir mas faziam com muito esforço, não por ser dificultoso mas talvez por criar-se a cultura que olhos não mentem. Até que funciona. Poderíamos começar a dizer de hoje em diante que a boca também é incapaz de expressar inverdades. Talvez com isso a decepção fosse menor quando a boca nos falasse aquilo que os olhos não querem dizer.

5 comentários:

Mano e Lívia - Os DelaSilva disse...

"São meros devaneios tolos, a me torturar..."
Bela construção, pois nos apresentou a direção onde nossa imaginação deveria encontrar tal olhar, sem ter nos dito de forma precisa, como seria esse olhar. Com isso, apesar do norteamento, cada um imagina o olhar à sua maneira, o olhar ideal, mais sedutor, mais amoroso, mais romântico, mais bondoso, ou até mesmo, o mais cruel, porque não?! rsrsrs
Quanto a contar com a boca para decifrar a verdade, seria interessante. O único problema, é que nem todos querem ouvir a verdade. rsrsrs

Walter Cruz disse...

São tantas introspecções

Lais Braz disse...

Eaee!!
Acredito atraveix do olhar a gente decifre o que se passa na 'alma', mas isso aí já um clichê!! rs

um dia devolvo seu livro!
;D

Kessia disse...

nossa boca pode até mentir, mas algo em nosso corpo sempre nos denuncia.. nem que seja através de um polígrafo!

de alguma forma, uma hora ou outra a verdade é sempre revelada...

ainda bem!

João Ferreira disse...

Olá Raphael,

Bentinho que o diga dos olhos de Capitu, olhos de cigana oblíqua e disimulada.
Belo desvaneio, digo, reflexão.

Abração,

João

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