Sexta-feira, Maio 15, 2009

Pra que poesia?

Usualmente nos deparamos com poesia sem que a apresentem sob essa alcunha. Geralmente fala-se do poema como algo distante do qual somente pessoas românticas ao extremo podem gostar. O óbvio, no entanto, nos mostra que a música, por exemplo, não consegue se desvencilhar de maneira alguma da poesia. Aliás muitos gostam tanto de letras musicais e quando deparam-se com a letra escrita não ficam nada emocionados, talvez a melodia em notas faça o papel da emoção das palavras. O fato é que todos nós somos permeados por frases de poemas e poesias a todo momento. Talvez tenhamos até mesmo uma filosofia de vida baseada em um trecho poético.

Mas, e a poesia, serve para que? Somente para embelezar alguns poucos momentos de lazer que nos é permitido? Para declarar um amor avassalador? Para se fazer ouvir de forma enigmática? Não podemos negar que todos esses podem ser os objetivos de um poeta mas, ao ler o seguinte trecho do filme Sociedade dos Poetas Mortos:

"Não lemos nem escrevemos poesia porque é bonitinho. Lemos e escrevemos poesia porque somos humanos. A raça humana está repleta de paixão. E medicina, advocacia, administração e engenharia... são objetivos nobres e necessários para manter-se vivo. Mas a poesia, beleza, romance, amor... é para isso que vivemos. "

percebe-se que viver não passa de um processo de busca, uma busca pela beleza, que pode vir na forma de amor, esperança, ou até mesmo de sentimentos nada nobres como a morte e a dor. A busca pela beleza, ou a vida, nada mais é do que a procura por nossa essência humana, tão igual em definição mas tão diferente em ação. Afinal falar de variáveis quando falamos de ações humanas é ser redundante. No fim, tudo o que fazemos, todas nossas ações tem um único fim: fazer poesia na prática. ou diluidamente: colocarmos em prática aquilo que alguns colocam no papel.

Aproveitando o tema (talvez essa prolixia toda tenha sido somente para deixar o trecho do filme e o poema abaixo), deixo esse famoso poema da Cecilia Meireles. Para quem não se lembra ou nunca o leu, a beleza dele está no fato de que se você ler normalmente observará um sentido, e se ler de baixo para cima o sentido será completamente oposto.


Não te amo mais.
Estarei mentindo se disser que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
não significas nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...

Cecília Meireles

9 comentários:

Claudia Bittencourt disse...

Boa reflexão.
Sociedade dos poetas mortos é um bom filme, tenho que ver de novo.
Esse poema é muito legal também. :)

Beijo :*

Stephanie disse...

Eu adoro esse poema!
Adorei o que vc escreveu
beijos

Victor Fontana disse...

Cara,

Pra variar, excelenjjte post. Passando por aqui também pra dizer que o Cristão Inteligente foi reativado.

http://cleverchristian.blogspot.com

Teo disse...

Seus parágrafos prolixos foram muito bem colocados, hehe. As ciências dependem de formalização, de definições, de princípios e de métodos. Não são elas a expressão completa da nossa humanidade. A poesia escorre sem qualquer pré-requisito.

Kessia disse...

mmmm q romanticozinho!!!! rsrsrs

acho que uma das minhas maiores frustrações é não ser poeta. Admiro muito quem consegue traduzir sentimentos em palavras.

é necessário ressaltar tb que os grandes poetas sempre tiveram um papel essencial no desenvolvimento da humanidade, não apenas em termo cultural, mas tb político.. inclusive da humanidade brasileira =)

abs!

Jefferson disse...

Eu cai no blog por acaso. Vou discordar. Poesia em síntese são rimas. Rimas são palavras com a mesma fluência verbal ou certa concordância. Riminhas, rimetas ou rimonas, rimetinhas ou rimetonas, rimazinhas ou rimazonas, rimetitas ou rimeconas, ou rimetontas, coisas são que qualquer um faz, se não perneta da mente, ou cabeça de mamona...

Será que sou poeta? Filosofo? "Altista"?...

Sô bão? Já que fiz cualquier cousa? Cualquier cousa não é alti?...

Dêem-me, então, o milhão de dólares do Prêmio Nobel das altis...

Celia Rodrigues disse...

Admiro quem tem a capacidade de fazer poesia. Eu não tenho. Nunca tive.

O trecho citado por você é muito interessante, especialmente pelos dois sentidos que ele traz. Dá a impressão de que a escritora escondeu a verdade de suas palavras na própria mentira.

Pequena_imensidão disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Pequena_imensidão disse...
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