Super-homem
“O que é bom? Tudo que eleve no homem o sentimento de potência, a vontade de potência, a própria potência. O que é ruim? Tudo que advém da fraqueza. O que é felicidade? O sentimento de que a potência cresce, de que uma barreira é superada. Os débeis e os disformes devem sucumbir: primeira regra do nosso amor ao homem. E para isso ainda devemos ajudá-los. O que é mais prejudicial do que qualquer vício? A compaixão ativa com todos os deficientes e fracos: o cristianismo”.
Nietzsche
O Super-homem apresentado por Nietzsche é aquele que supera valores considerados cristãos como a compaixão, humildade e culpa. Ou seja, para o filósofo, só haveria evolução intelectual humana se a compaixão que cria a moral fosse questionada. Se na evolução os mais fracos ficam para trás, os humildes, fracos intelectualmente, culpados e acusadores também deveriam ficar.
Longe de fazer apologia a algum tipo de facismo ou nazismo, a ideia não era fazer com que eliminássemos fisicamente os pobres e fracos (apesar de alguns ainda pensarem assim) mas que deixássemos de lado o exaltar a humildade, modéstia e culpa.
No cristianismo temos de forma bem clara uma oposição clara a esse tipo de pensamento. O que dizer de Paulo quando afirma: "Quando estou fraco aí é que sou forte"? Não seria essa uma exaltação explícita da elevação do fraco ao topo da moral? Ou ainda, o que dizer do Sermão da Montanha, onde os chorosos, pobres e fracos tem mais lugar do que aquele que é considerado forte, que não se utiliza de modéstia em momento algum?
A religião cristã vem se moldando e atualmente tem um sincretismo interessante com algumas filosofias considerados noutro tempo totalmente heréticas. O fato é que valores como a compaixão, humildade são conceitos cada vez menores em igrejas protestantes atuais. Oras, se assim existissem, as críticas da moral humana não seriam tão ferrenhas aos super-pastores que a cada dia prezam mais por uma elevação do poder e se esquecem da exaltação à fraqueza. O que é a onda de livros de auto-ajuda senão uma ode à certeza de que podemos nos superar e que para isto basta que nós mesmos queiramos?
Por outro lado, se a compaixão e humildade estritamente conceituais não fazem mais parte do vocabulário cristão o que dizer da culpa? Essa sem dúvida permanece, e isso se dá porque todo sincretismo traz incoerências. Se por um lado queremos nós mesmos chegar a um objetivo, por outro queremos que isso seja feito da maneira mais fácil possível, por isso pensar que o objetivo não alcançado na busca do poder se deu porque tivemos alguma culpa perante Deus. Se existiu tal culpa ela é unicamente por conta da própria busca insana por poder, de uma exaltação ao super-homem e pela incoerência de querer ser rotulado como cristão.
P.S.: Super-homem mesmo é o Lex Luthor
P.S.: Um dos únicos conceitos do qual mantenho discordância quase que total. É uma análise rasa para um pequeno paralelo, portanto não me batam por não ter aprofundado na questão social do conceito.



7 comentários:
O paralelo ficou bem feito. Você não precisava pedir pra não te baterem por ter aprofundado o conceito, e podia ter falado o quanto quisesse sobre o paralelo. Sei que tem gente que não lê postagem grande, mas... ok, sem mas. Foi o suficiente.
Qual conceito você mantém total discordância? Não ficou claro, por incrível que pareça, hehe.
Textos longos não são muito bem aproveitados ao menos por mim quando os escrevo...
O conceito que leva o título do texto.
Valeu pelo comentário cara!
Há de se achar um equilíbrio e para isto queremos caminhar. Tem um video no TED que eu gostaria de postar no "Luz", porém quando embledamos, a legenda em português some - como já é difícil assistirem um video, imagina quando em inglês? - se puder acessar o link original e assistir - interessante que fala justo da compaixão, não essa a que Nietzsche diz que devemos superar, mas a que falta, a que ainda não existe em alguns humanos ou que está camuflada com a urbanidade que anestesia os olhos e sentimentos. Até faço alguma confusão, porque até onde nos ensinaram, é mais humano, aquele que sente mais compaixão e esta seria uma característica propriamente humana? Porque descartá-la? veja - http://migre.me/1FC7
Bom fim de semana! Beijus
Entendo que a similaridade sugerida pelo texto entre fraco X humilde e forte X arrogante, é um equívoco herdado da senhora do vídeo.
Mesmo que apontem para horizontes parecidos, o endereço final é bem longínquo, e isto sem sequer utilizar os contextos bíblicos (pelos menos das passagens citadas).
Os vendedores tendem a confundir o cliente com o ressaltar de qualidades insignificantes do produto e o minimizar de seus defeitos. Uma das confusões oferecidas no vídeo é o parafrasear de Marcos 8:34 por parte da mãe da filosofa, onde ela (a filosofa) leva para uma interpretação bem conveniente à venda de sua argumentação.
Como diria um grande amigo, você escreveu o post que eu gostaria de ter escrito. Interessante notar que tudo começa com um desavisado fazendo uma pergunta ideal para a Viviane destilar seu veneno. No lugar dela, faria quase o mesmo. Fato é que a bronca do Nietzsche com a igreja, sobretudo com os pastores, é muito maior, em especial com a postura niilista adotada por eles. Creio que a resposta mais adequada ao platonismo neo-testamentário foi dada por Calvino e seus seguidores. O que vemos hoje não limpa as sandálias do homem de Genebra, sequer.
realmente compaixão e humildade são conceitos praticamente extintos, e quando citados, infelizmente o são de forma erronea..
a "humildade" é grande ao assumir a culpa, por outro lado, o orgulho ainda é maior diante de situações cuja unica explicação é a vontade de Deus..
quanto a Paulo, discordo que esse versiculo seja exaltação da fraqueza. A meu ver é exaltação da força divina...
bj!
... Paulo exalta sim a fraqueza. A mim parece claro. Tão claro quanto ele está exaltando ao mesmo tempo a força divina.
E o mesmo Paulo que exalta a fraqueza, também "cala" os corintios ao dizer que ele mesmo fala mais línguas do que todos eles ( 1 Coríntios 14.18).
Então não é bem assim que o cristianismo ressalta uma humildade-culpada-e-fraca. A culpa até onde eu agradeço, ainda que não deixe de sentir volta e meia, foi vencida por Cristo. A fraqueza e humildade é exaltação dos esquecidos, a quem Ele mesmo veio resgatar.
Ser humilde nada tem a ver com não ser confiante, portanto, aquela caricatura de uma pessoa humilde e coitadinha é "invencionismo"... mas ao mesmo tempo, é uma boa invenção pois combate um cristianismo falsamente humilde ou que não sabe o que é humildade.
Eu não sou humilde, mas procuro ser. Eu não sou confiante, mas procuro ser. Sem medo de ser mais ou menos cristão por isso.
Mas... há quem tenha medo de humildade e confiança.
.el.
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